Hipertensão Arterial: por que ela é chamada de “assassina silenciosa”?
A hipertensão arterial é conhecida como uma assassina silenciosa porque, na maioria das vezes, evolui sem sintomas aparentes. Mesmo assim, pode provocar alterações importantes em órgãos vitais como o coração, os rins e o cérebro, muitas vezes antes mesmo de ser diagnosticada.
Hoje, mais de 30% da população adulta convive com pressão alta ou faz uso de medicamentos para controlá‑la. Entre pessoas acima de 70 anos, esse número pode ultrapassar 70%.
Justamente por ser silenciosa, a hipertensão exige atenção. A única forma de identificá‑la precocemente é por meio de medições regulares da pressão arterial e acompanhamento médico adequado.
O que é hipertensão arterial?
A hipertensão arterial ocorre quando os valores da pressão permanecem elevados de forma persistente.
O diagnóstico é confirmado quando são registradas duas ou mais medidas iguais ou superiores a 140×90 mmHg, em dias diferentes, com intervalo de alguns dias ou semanas, realizadas em ambiente adequado.
Por isso, medir a pressão arterial deve fazer parte de toda consulta médica. Caso haja alteração, a avaliação com um cardiologista é fundamental para investigar a causa e definir a melhor conduta.
Fatores de risco da hipertensão arterial
A hipertensão tem origem multifatorial, ou seja, resulta da combinação de fatores genéticos, ambientais e individuais. Entre os principais fatores de risco estão:
- Histórico familiar (genética)
- Idade
- Sexo e etnia
- Sobrepeso e obesidade
- Consumo excessivo de sódio
- Baixa ingestão de potássio
- Sedentarismo
- Consumo excessivo de álcool
- Tabagismo
- Fatores socioeconômicos
- Apneia obstrutiva do sono
- Uso de algumas medicações ou drogas ilícitas
Muitos desses fatores são modificáveis, o que significa que mudanças no estilo de vida, associadas ao acompanhamento médico, podem reduzir significativamente o risco e melhorar o controle da pressão.
É possível prevenir a pressão alta?
Sim. A hipertensão é fácil de diagnosticar e, quando bem conduzida, apresenta tratamento eficaz e seguro.
O grande desafio é que, por não causar sintomas na maioria dos casos, muitas pessoas não aderem corretamente ao tratamento. Por isso, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente e com melhor custo‑benefício para a saúde cardiovascular.
Controle do peso corporal
O excesso de peso, especialmente a gordura abdominal, está diretamente relacionado ao aumento da pressão arterial. Manter o peso dentro da faixa adequada do Índice de Massa Corporal (IMC) reduz significativamente o risco de hipertensão e de outras doenças cardiovasculares.
Alimentação saudável
Dietas voltadas à prevenção da hipertensão compartilham princípios semelhantes:
- Consumo regular de frutas, verduras e legumes
- Cereais integrais
- Leites e derivados com menor teor de gordura
- Redução do consumo de sal e gorduras saturadas
Esses hábitos alimentares contribuem não apenas para o controle da pressão, mas também para a saúde metabólica como um todo.
Sódio e potássio: equilíbrio é fundamental
O consumo excessivo de sódio é um dos principais fatores de risco modificáveis. A recomendação é não ultrapassar 5g de sal por dia.
Grande parte do excesso de sódio vem de alimentos industrializados e ultraprocessados. Reduzir esse consumo faz diferença real no controle da pressão arterial.
Por outro lado, o potássio auxilia na redução da pressão. Ele está presente em alimentos como:
- Feijão e ervilha
- Vegetais verde‑escuros
- Banana, melão e laranja
- Batata, beterraba e cenoura
- Frutas secas
Em alguns casos, a suplementação pode ser indicada, sempre com orientação médica.
Atividade física regular
O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda:
- Pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada
ou - 75 minutos semanais de atividade vigorosa
A prática regular de exercícios ajuda a reduzir a pressão arterial, melhora o condicionamento cardiovascular e contribui para o controle do peso.
Álcool e tabagismo
Entre 10% e 30% dos casos de hipertensão estão associados ao consumo excessivo de álcool. A ingestão deve ser moderada, respeitando os limites seguros.
O tabagismo, por sua vez, é um dos principais fatores de risco evitáveis para doenças cardiovasculares. A interrupção do hábito traz benefícios já no curto prazo, inclusive para quem convive com fumantes (fumo passivo).
Classificação e acompanhamento da hipertensão
Todo adulto deve medir a pressão arterial regularmente. Valores normais devem ser reavaliados ao menos uma vez por ano.
Quando há alteração, novas medições são necessárias para confirmar o diagnóstico e definir a classificação correta, incluindo situações como a hipertensão do jaleco branco, em que a pressão se eleva apenas no ambiente médico.
Tratamento da hipertensão arterial
O tratamento envolve uma abordagem individualizada, combinando mudanças no estilo de vida e, quando necessário, medicação.
As diretrizes nacionais e internacionais reforçam que medidas não farmacológicas são fundamentais e devem acompanhar qualquer tratamento medicamentoso.
O objetivo é reduzir a pressão de forma gradual e segura, protegendo órgãos como coração, rins e cérebro e diminuindo o risco de complicações ao longo do tempo.
Acompanhamento contínuo faz toda a diferença
O controle da pressão exige acompanhamento regular. Ajustes de dose ou associação de medicamentos podem ser necessários e fazem parte do tratamento adequado.
Isso não significa dificuldade de controle, mas sim cuidado individualizado e preventivo.
Consequências da pressão alta não controlada
Quando não tratada, a hipertensão pode levar a:
- Infarto e insuficiência cardíaca
- Acidente Vascular Cerebral (AVC)
- Doença renal crônica
- Comprometimento da visão
- Arritmias e outras complicações cardiovasculares
Por isso, o acompanhamento médico regular é essencial para preservar a saúde e a qualidade de vida.
Com base nestas medidas, podemos classificar a pressão:

FAQ
O que causa a hipertensão (pressão alta)?
A hipertensão pode ter origem genética (hereditária) ou estar relacionada a fatores ambientais, como obesidade, sedentarismo, má alimentação, estresse, entre outros. Muitas vezes, esses fatores se combinam, aumentando o risco da doença.
Quem tem pressão alta pode fazer exercícios físicos?
Sim, mas com orientação médica. Em casos de descontrole pressórico (por exemplo, pressões acima de 160×110 mmHg), é necessário iniciar tratamento médico antes de retomar ou iniciar atividades físicas, garantindo segurança e reduzindo o risco de eventos cardiovasculares.
O que devo fazer se minha pressão estiver alta?
Se a pressão estiver acima dos valores normais (acima de 140×90 mmHg), é importante procurar um cardiologista para avaliar a necessidade de tratamento, mesmo que não envolva uso de medicamentos. Mudanças no estilo de vida podem ser suficientes em muitos casos.






